Busca no site
buscar no site
Notícias
11/05/2015

A Meca do turismo brasileiro

 

    Imprimir E-mail
 

Edson Luis Pinto, da CNTur

A Copa do Mundo não se traduziu em números muito positivos para o comércio em geral, mas rendeu pontos à imagem do Brasil – e, especialmente, de São Paulo – aos olhos dos turistas. Os negócios continuam como maior atrativo para quem visita a cidade, mas as compras têm participação importante nos desembolsos. Depois das despesas com acomodação, elas respondem pela maior categoria de gastos das pessoas que visitam a metrópole.”
 
Embora a Copa do Mundo de 2014 não tenha rendido tantos gols para o comércio paulistano, São Paulo fez do campeonato uma vitrine e comprovou para os turistas, principalmente os estrangeiros, que não deixa nada a desejar às grandes metrópoles globais. Com uma diversidade de centros comerciais e gastronômicos capaz de agradar aos mais exigentes paladares, gostos e bolsos, a capital recebeu mais de 13 milhões de visitantes de todo o Brasil e do mundo no ano passado, sendo 540 mil só durante o Mundial de Futebol – quase o dobro do esperado. Foi a segunda cidade com maior número de turistas no período: perdeu apenas para o Rio de Janeiro. Mas nada que abale o posto de quem foi apontado no ano passado como o principal destino da América Latina até 2017, segundo projeção de um estudo da Mastercard. E o comércio puxa esse movimento, com a ajuda dos mercados de shows e de eventos de negócios.
 

Engº Wilson Martins Poit

Segundo o secretário municipal de Turismo, Wilson Poit, presidente da SPTuris, esse conjunto de atrativos manterá o setor de turismo aquecido por muito tempo na capital. Tradicionalmente, conta ele, quem movimenta a cidade é o turista de negócios com idade entre 30 e 50 anos. Esse público inclui profissionais de empresas dos mais variados portes, dada a diversidade de feiras e convenções realizadas em São Paulo. Com isso, também variam os gastos com hospedagem, gastronomia e compras para cada um dos múltiplos perfis que visitam a metrópole. Para os shows, predominam visitantes jovens que se hospedam na casa de amigos e parentes e costumam utilizar produtos e serviços mais baratos. Contudo, são muito antenados quanto a tendências, novas tecnologias e cultura pop. “É um público crescente que vem cada vez mais para São Paulo para algum evento específico, mas acaba aproveitando o que a cidade oferece em entretenimento, comércio e cultura”, observa Poit.
 
A pesquisa Global Report Shopping Tourism, da Organização Mundial de Turismo, revela que, depois da acomodação (responsável por 46,2% dos gastos dos turistas que visitam a capital paulista), os maiores desembolsos são com compras (22,2%) e alimentação (15,8%). Esses porcentuais têm se mantido ao longo dos últimos anos, assim como a taxa de crescimento do setor, cuja expansão é sempre maior que a inflação. Os números de 2014 ainda não foram consolidados, mas a expectativa é de alta entre 8% e 10%, segundo a Confederação Nacional do Turismo (CNTur). “É sabido que o Mundial de Futebol é um evento de visibilidade global, capaz de gerar um ciclo virtuoso para o setor no longo prazo. Mesmo assim, superou nossas expectativas”, diz Poit.
 
No período, cada brasileiro deixou, em média, R$ 2,2 mil na cidade, enquanto os estrangeiros gastaram R$ 4,9 mil. Os valores ficaram bem acima do gasto médio estimado anteriormente, que era de R$ 1,8 mil. Na média, os brasileiros permaneceram 4,4 dias na cidade, enquanto os visitantes de outros países passaram 8,3 dias por aqui. Isso impactou positivamente a movimentação econômica gerada pelos visitantes. No total, a receita da cidade de São Paulo com os turistas no período da Copa do Mundo alcançou R$ 1,8 bilhão.
 
Em razão do foco dos visitantes, o setor de serviços se beneficiou do movimento. O comércio em geral, no entanto, foi prejudicado pelo grande número de feriados, como mostraram os números da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em junho do ano passado, a atividade somou R$ 39,4 bilhões em vendas, com queda de 7,2% em relação ao mesmo mês de 2013 e de 9,1% sobre maio. Se observado apenas o segmento de vestuário, tecidos e calçados, itens mais procurados pelo turismo de compras, essa queda foi de 10% e de 9%, respectivamente. “São Paulo já é um centro comercial importante e superconsolidado que atrai muita gente, mas essa dinâmica não foi favorecida pela Copa, pois tivemos menos dias úteis”, explica a assessora econômica da FecomercioSP, Julia Ximenes.
 
A diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e coordenadora da Academia do Varejo, Patricia Cotti, reconhece que nem sempre o fluxo de pessoas de um evento se traduz em vendas, mas o impacto é positivo para o setor de serviços. “Os eventos geram turismo entre Estados e podem ser utilizados para alavancar as marcas em campanhas específicas”, diz.
 
Para o diretor da Confederação Nacional de Turismo (CNTur), Edson Pinto, que também integra a diretoria da Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi), a capital paulista segue consolidada como referência entre os maiores centros de consumo do mundo. “Os grandes eventos promovem o Brasil lá fora”, diz ele, ressaltando que a maior movimentação do turismo de compras é feita por turistas domésticos – e não estrangeiros –, com pontos altos em julho e dezembro.
 
Somente em dezembro, o turismo de compras movimenta cerca de R$ 5 bilhões no tradicional comércio da região da Rua 25 de Março. A Associação de Lojistas do Brás (Albras) estima uma receita de mais de R$ 12,8 bilhões anualmente. Esse montante compreende parte do comércio popular do Bom Retiro, do Brás e da região da Rua 25 de Março, o maior shopping a céu aberto da América Latina. Não há um número oficial que englobe o turismo de compras nas mais de 240 mil lojas distribuídas nas ruas de todas as regiões da cidade e concentradas nos 77 shopping centers, nas 60 ruas de comércio especializado, nas feiras de antiguidades e nos chamados minishoppings – centros comerciais instalados nos diversos bairros da capital. A cidade atende ainda a quem procura o consumo sofisticado de endereços como a Rua Oscar Freire – uma das dez mais luxuosas do mundo –, Daslu, Alameda Gabriel Monteiro da Silva e centros de compras como o Iguatemi, o Cidade Jardim e o Vila Olímpia.
 
Hoje quem chega a São Paulo encontra ainda 60 cozinhas típicas representadas, uma diversidade que vai além de Paris e Nova York.Segundo a SPTuris, são, ao todo, 15 mil bares e restaurantes, mas o número sobe para 80 mil se contabilizados os estabelecimentos populares, de acordo com a Abresi. E 90% dos turistas de compras se alimentam nesses lugares, como o Mercado Municipal, abrindo uma grande oportunidade de negócios. “É preciso um olhar diferente para esses estabelecimentos que conciliam visitação, compras e gastronomia”, diz Pinto.
 
Seduzidos também por essa diversidade de opções, os turistas aproveitam a visita à cidade para fazer boas compras. E lugar para esticar a estadia não falta. No quesito acomodação, a cidade não deixa a desejar, com 42 mil leitos em 410 hotéis
 
Fonte:   Revista Conselhos, Fecomercio/SP
Texto:   Rachel Cardoso
Fotos:    Rubens Chiri (Edson Pinto) e Eric Ribeiro (Wilson Poit)
______________________
FrontDesk é um boletim informativo com assuntos de interesse da Cadeia Produtiva do Turismo do Sul do Brasil, enviado para 24.237 endereços.
Envie-nos sua opinião ou informação para o e-mail:
frontdesk@frontdesk.tur.br
Editores:
Renato Brenol Andrade & José Justo 54 9914 3117